domingo, 9 de novembro de 2014

Órfãos da Matemática

Órfãos da Matemática

Contam-se às centenas de milhares as pessoas que desistem de voltar aos estudos por se julgarem incapazes de aprender Matemática. Apesar de terem sido convencidas que voltar a estudar seria a única forma de se valorizarem profissionalmente, essas pessoas resistem à vontade de retornar aos estudos por continuarem acreditando na errada crença segundo a qual “a Matemática é assunto para as pessoas mais inteligentes”.


É igualmente assustadora a quantidade de jovens alunos do curso fundamental que não conseguem acompanhar a matéria dada em aulas de Matemática por não dominarem assuntos que lhes foram ensinados em anos anteriores. E, não acompanhando a matéria, ficam em sala como autênticos zumbis. Por isso, o abismo vai aumentando, juntamente com a aversão à Matemática.


Preocupante, também, é a quantidade de alunos que conseguiram ingressar nas universidades sem o necessário conhecimento de Matemática. Tais alunos ficam submetidos a um grande sacrifício para tentar acompanhar a matéria que faz parte da grade escolar.


Muitos deles abandonam a faculdade por não terem condições de acompanhar o curso devido à deficiência em Matemática Básica. Obviamente, tal problema tende a piorar com o intenso estímulo que tem sido dado ao acesso ao nível universitário.


Ninguém pode ter dúvida que é urgente a necessidade de reverter esse quadro.


Diante desta realidade, a pergunta que tem que ser respondida é: o que fazer para resgatar tais pessoas despreparadas?


Incontestavelmente, qualquer que seja o conjunto de providências adotadas, ele será inócuo se continuar desconsiderando a mais marcante característica da Matemática: a interligação entre suas diversas partes.


Acontece que, para que se entenda determinada parte da Matemática, é necessário que se conheça assuntos a ela interligados. Exemplo: é impossível uma pessoa entender logaritmos sem entender equações exponenciais, que, por sua vez, depende do entendimento de potências.


Além disso, a interligação também existe entre os diversos níveis de uma mesma parte da matéria. Por causa disso, é necessário que um determinado assunto seja estudado a partir de seus conceitos mais elementares. Afinal, como um aluno poderá entender, por exemplo, que “dois terços é maior que cinco nonos”, se não souber o significado de uma fração ordinária?


E é justamente essa indissolúvel interligação que faz a Matemática parecer difícil, a ponto de torná-la a maior responsável pela evasão escolar.
Por causa de citada interligação, alunos que não dominam determinadas partes da matéria não têm a menor condição de entender as aulas, por melhor que seja o professor.


E, sem entender as aulas, à medida que o tempo passa, o aluno despreparado fica mais traumatizado com a matéria, criando um abismo cada vez mais difícil de ser transposto.


Em outras palavras, se faltar um elo na corrente, todo o trabalho ficará prejudicado.


Diante do cenário acima descrito, vejamos alguns pontos indispensáveis à obtenção de êxito no resgate de alunos despreparados.


Antes de tudo – devido ao fato de um aluno despreparado ser, naturalmente, impaciente – é preciso convencê-lo, logo nos primeiros minutos, que ele é capaz de entender coisas que, no seu julgamento, eram incompreensíveis. É importante convencê-lo logo nos primeiros minutos para que sua atenção seja atraída. Ou seja, o aluno tem que ser conquistado de imediato. Só aí ele ficará motivado. E a motivação traz o sucesso, que, por sua vez, provoca mais motivação, formando-se um autêntico círculo virtuoso.


Ao apresentar um assunto a um aluno despreparado, é necessário proporcionar-lhe uma rápida e eficiente revisão dos pré-requisitos indispensáveis ao entendimento do assunto. Logicamente, referida revisão deve ser aplicada de maneira muito especial. Nela, o “entendimento” – aspecto indispensável ao domínio da Matemática – não pode ser prejudicado pela busca da rapidez e da eficiência.


Da maior importância é o uso de palavras com as quais o aluno esteja familiarizado. Isso, juntamente com a escolha de exemplos adequados, colaborará para passar ao aluno a impressão que o professor está conversando com ele individualmente, mesmo que ele esteja numa sala com dezenas de colegas.


Resumidamente, para o sucesso da recuperação de um aluno despreparado, é de todo indispensável que o mesmo seja convencido de uma coisa: ele é capaz de entender tudo aquilo que, um dia – erradamente – lhe colocaram na cabeça que só era possível ser compreendido por pessoas dotadas de maior inteligência.


Concluindo, uma grave mensagem: É de todo necessário que se resgate a imensa dívida que o país tem com o exército de pessoas despreparadas, aqui chamadas de “Órfãos da Matemática”.


PS:


1 – Sobre o mesmo assunto (resgate daqueles que não aprenderam Matemática quando cursaram as séries nas quais os assuntos foram estudados) sugerimos o vídeo “Matemática Básica: Em Busca do Tempo Perdido” cujo link se encontra no YouTube.


2 – Estamos disponibilizando a palestra “Desmistificando a Matemática”, proferida para os alunos de Engenharia de Produção da UNIG- Universidade Iguaçu e para os alunos de Engenharia Mecânica da Faculdade Redentor, ambas em Itaperuna (RJ), em outubro de 2014. Apesar de tal palestra (por meio da qual substanciais conhecimentos de Derivadas de uma Função são transmitidos em apenas uma hora) não ter ligação com os “Órfãos da Matemática”, já que aborda a Matemática Superior, julgamos por bem disponibilizá-la com o único objetivo de demonstrar que a Matemática é mais fácil que parece.

Os interessados devem nos enviar o pedido por e-mail.

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por João Vinhosa
João Vinhosa é Engenheiro - joaobatistavinhosa@gmail.com

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